O início da vida jurídica do cidadão deveria começar nos primeiros anos escolares, mas não é assim no Brasil. Então a maioria das pessoas passa vida inteira sem saber a maioria de seus Direitos. Da minoria que adquire algum conhecimento, muitos estão entre os estudantes de Direito.
Ao iniciar a faculdade há toda uma expectativa de um mundo novo, de uma vida acadêmica vibrante e apaixonante. Contudo não é o que se vê na prática, pois a maioria entra no curso superior com mentalidade de crianças, sem responsabilidade (ao menos no início do curso). Daí a responsabilidade da Instituição de Ensino e dos Professores Universitários de incentivar e fazer surgir a mentalidade crítica jurídica e de paixão pelos os estudos.
Ocorre que isso nem de longe é verdade na prática, pois a maioria das Universidades contrata professores por indicação ou pelo cargo que ocupam, o que não significa compromisso com o futuro dos alunos e muito menos didática.
Para agravar, a exigência de mestres e doutores no corpo docente atrapalha bastante, pois a maioria do Doutores em Direito (a menos aqui no Maranhão) não ministram aulas, apenas passam trabalhos, seminários, mandam lerem seus livros e etc., mas como a faculdade não quer e não pode perdê-los dos seus quadros, os perpetuam prejudicando sobremaneira os alunos. Sem contarmos a hora aula ser no mínimo humilhante, pois há casos de hora aula a R$19,00 em faculdades dita de melhor estrutura, como exigir aula digna de alguém com anos de estudo recebendo tão pouco (mesmo a maioria não precisando).
Do outro lado, os estudantes que por assinarem o pacto de hipocrisia, fingem que estão assistindo aulas e aprendendo, não tem coragem de lutar pelos seus direitos frente à faculdade. O medo de serem prejudicados
quanto à sua aprovação e na vida jurídica, pois a maioria ali enquanto professores, são Juízes, Promotores, Desembargadores, Advogados, que não sabem diferenciar seus cargos com o de professor.
Chegou-se ao absurdo de faculdade de Direito assinar convênio com cursinho para aprovação na OAB... o fim!!!
Após se formar, temos o Bacharel, que se vê em uma situação complicada com pressão da sociedade, dos amigos e da família que esperam ansiosos a sua transformação em advogado, mas por ter passado 5 anos em um ensino jurídico deficiente, hoje em dia voltado para o exame da ordem e não para formar jurisconsultos, formar pensadores do Direito, verdadeiros intérpretes., deve-se ainda lograr aprovação no exame da ordem. Ressalte-se que o Curso de Direito não é para advogar e sim para ser Bacharel, o que muitas pessoas não distinguem.
Mas como passar no Exame da Ordem após 5 anos de aprovação arrastadas, com professores que não ensinaram 30% do que deveriam, com o pensamento crítico que demorou mais da metade do curso para amadurecer (ou nem surgiu)? e quando o estudante não estudou nem 50% que deveria.
Após o bacharelado, agora se ver obrigado a fazer cursinhos por vídeo (por acreditarem de forma preconceituosa que só os profissionais de fora teriam conhecimento pra ajudá-los), chegando às vezes a estudar mais 5 anos para lograrem aprovação, e enfim se tornarem advogados (alguns desistem no caminho).
Pronto, aprovados no exame da Ordem, todos aguardam sucesso econômico e reconhecimento por seu talento... aí começa a longa e triste jornada, ao se depararem com àqueles mesmos professores da época da faculdade, que não cumprem seus papéis legais e constitucioanis: promotores que nada fazem (não todos); juízes corruptos (não todos); juízes que demoram mais de 1 ano apenas para despachar a citação porque o advogado não tentou um acordo com o magistrado; oficiais de justiça que requerem suborno para cumprir (não todos) os mandados com rapidez; servidores que não vêem a hora do dia de trabalho acabar; escritórios de advocacia que pagam 30 reais para advogados irem a audiência (e a OAB não faz nada a respeito) ou de R$800 a 1500 reais por mês por 8horas por dia de trabalho. (um absurdo)
Se deparar com um mundo totalmente distante da teoria que mal ou bem aprenderam no curso de suas vidas acadêmicas, faz com que muitos desistam ou optem por outras áreas, isso após todo o sofrimento que passaram para se formar e passar no exame da Ordem.
Não digo que é impossível se ter uma vida boa como Advogado honesto, adquiri ótimo patrimônio, ser respeitado e honroso, contudo são casos isolados e bem raros (aqui no Maranhão). Portanto, talvez, o concurso público seja a alternativa pra quem é honesto (ainda têm o problema das fraudes) para tentar modificar esse cenário de "era das Trevas" em que vivemos, esse é o nosso papel, papel do Estudante, do Bacharel e do Advogado.
Uma vida de dedicação, abdicação e sofrimento para cumprir o artigo 133 da CF.
Danillo Raposo
Estudante, Bacharel e Advogado
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